quinta-feira, 2 de julho de 2009

ReEnContros...

Ontem foi um serão para ficar na memória.
Juntei-me com o Rui Madeira, no meu estúdio e numa de unpluged recordamos os nossos velhos temas....

Expiração, Ventos, Malta , Pedro e o Lobo, Novas das Tesouras, Lendas....

Ficaram no ar várias ideias.
Por enquanto vai haver reunião às 4ªs....

quarta-feira, 4 de março de 2009

em execução....

... o caderno do Tó Pê.....

Em recente pesquisa ao meu sotão, encontrei duas cassetes com concertos do Iodo.

Um em Sines e outro em Portalegre.

Mas o achado mais importante, foi o caderno do TóPê, onde ele rascunhava os seus pensamentos, devaneios e delírios espirituais.

Estou neste momento a trascrever para o pc, e depois serão colocados aqui total ou parcialmente os escritos do Tó Pê.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

...descendência
















Da esquerda para a direita:
Nuno Tavares
Joana Trindade
Tânia Grelha
Jorge Trindade




Qualquer músico gosta de ver os seus filhos seguirem as pegadas musicais.

Eu não fujo à regra.

Não foi nas cordas, foi nos tambores.

A minha filha faz parte da orquestra de percursão Toca a Rufar .

Joana Trindade, já é uma descendente do tão ainda hoje falado Rock Português, que alimentou sonhos, ilusões, e deu a conhecer tantos talentos.

Foi com muito orgulho, e confessa emoção que vi o video-clip abaixo:
http://br.youtube.com/watch?v=mMIsuGurSPM

Mais um, de muitos:
http://br.youtube.com/watch?v=8aTj4BjDRho

terça-feira, 22 de abril de 2008

as Músicas do Manicómio - lado B

1.EXPIRAÇÃO DE UM LOUCO

Desta canção já falei da minha quase devoção e também da estrutura. É o tema que tomava conta do público em qualquer concerto, a seguir ao Malta à Porta, mas o Malta beneficiava de toda a vantagem do mediatismo a que foi submetido, enquanto que o Expiração, sem ser conhecido era uma composição que arrebatava do princípio ao fim, e principalmente no fim, quando o Madeira começava a cantar... Não gosto do sol que ri e zomba... É o meu tema favorito. É o Iodo no estado de pré-maturação. É a veia musical do Luís Cabral a funcionar com toda a criatividade, e onde nos podíamos soltar em improvisos devastadores.

Afundei-me no tempo dos ventos
quando mergulhei na boca do mar
queria fugir dos robots cinzentos
embriagar-me no som do ar

Prefiro amar só, que ficar em pó
louco e louco, sem dó
prefiro amar só, que ficar em pó
louco e louco

UUH! caiem gotas e lágrimas do manto azul
atrás do invisível, choro também
se eu pudesse dava o pulo
raios partam isto tudo
e sei lá quem

Prefiro amar só, que ficar em pó
louco e louco, sem dó
prefiro amar só, que ficar em pó
louco e louco

Não gosto do sol, que ri e zomba
nem gosto do ruído, que doi e magoa
não gosto do movimento que nos obriga e enerva
só queria para mim, para mim, um monte d'erva


2. VENTOS DO ALÉM

O meu tema. Não é por ser meu que gosto dele. Gostaria sempre, fosse quem fosse que o fizesse. Foi uma inspiração que não consigo explicar. Sem esforço. Imaginei, peguei no papel e na viola e saíu à primeira. Imaginei-a na minha praia preferida na Aldeia do Meco, e não me saiu mais da cabeça. Não é dedicada a ninguém, mas a uma imagem no feminino, sem dúvida, alguém que nunca existiu. Alguém sempre imaginário.
Apresentei a música ao pessoal no ensaio e foi logo aceite, e tocada nos concertos, onde também tinha uma boa recepção por parte do público. A princípio desatinei um bocado com o Madeira por ele cantar a primeira estrofe em falcete, mas depois acostumei-me. Na altura da gravação pensei que caso o Luís e Madeira tivessem tempo, teriam sacrificado este tema, a fim de conotar o mais possível a autoria de todo o disco ao Luís.

Pela manhã acordo bem cedo
e o teu segredo foi meu
avisto no ar, coisas sem fim
leques de côr, só p'ra mim
e o meu sonho vai-se abrindo
sobre a areia que o mar tem
o teu corpo vem sorrindo

Pelos ventos do além
sobre a areia que o mar tem
pelos ventos do além
pelos ventos do além
sobre a areia que o mar tem
pelos ventos do além

Teu corpo secreto
tem mil ousadias
frescas e sadias
como o mel
ao entardecer, as aves que vêm
trazem mil recordações, no ar

Pelos ventos do além
sobre a areia que o mar tem
pelos ventos do além
pelos ventos do além
sobre a areia que o mar tem
pelos ventos do além

3. INSTRUÇÃO MENTAL

Este tema bem como o seguinte tiveram que entrar no LP à falta de outros . É uma das músicas resultantes das desbundas do trio Alcobia+Luís Barros+Eu. Eram frequentes as nossas desbundas a três, de onde saíam boas ideias para depois trabalhá-las mais a fundo. Era uma corrente diferente da linha inicial do Iodo. Basta que eram dois músicos diferentes dos da formação inicial.

4. DEIXO-ME IR?

O 2º tema das desbundas, que inicialmente foi construído instrumental, mas que levou uma letra "às 3 pancadas" para entrar no LP. Tanto que não me lembro de termos alguma vez tocado esta música em palco com letra. Existía ainda um 3º tema nesta onda, com mais power, que chegámos a tocar na Sociedade Nova, no Seixal, num concerto com o Grupo de Baile e os UHF, e que impressionou bastante o Vicente, guitarra dos GB, hoje guitarrista do Marco Paulo. Nesta música perco-me um bocado em deambulações Robert Fripianas que no disco não ficaram como eu queria, por falta de tempo, e também por uma espécie de desalento pela morte anunciada na minha alma.

Sou um homem cansado
duma luta
vontade que se azeda
nas frazes turvas
por vezes esqueço quem sou
por meses obedeço
visto-me de etiquetas
obeso com preço e preso

OOOOOOOOOH! OOOOOOOOOH!

Se só tu fosses, mas não
sois um vulcão, de lava
furiosa e aversa
à minha pedra, pedra, pedra, edra, edra
de raiva

OOOOOOOOOOH! OOOOOOOOH!

que faço?
que digo?
que faço?
que penso?

(-) CONCLUSÃO DE B E INTRODUÇÃO PARA C

A repetição ampliada com coros, do tema de fecho do lado A, que pretendia estabelecer uma ponte para o segundo LP. Era uma ambição legítima de quem acreditava no sucesso incontestável do Manicómio. E não sería nada despropositada a repescagem desta melodia, com outros arranjos para iniciar o tal segundo LP.















segunda-feira, 21 de abril de 2008

as Músicas do Manicómio - lado A

1. CEBY


A primeira música do lado A. Pretendia ser o hit do disco, com aspirações a single forte, mas não foi assim.
É um tema escrito e composto pelo Luís Cabral, que fala de companheiras reais, do tempo do Iodo, o "Ce" de uma e o "By" de outra. Claro que conheci ambas e os seus nomes, mas por motivos óbvios não os divulgarei.
Particularmente nunca gostei muito, desta música. Nunca acreditei que fosse o tema forte do disco, embora na pálida aparição radiofónica fosse o tema indicado pela banda para ser tocado. Como já referi aqui, o tema forte seria o "Expiração de um Louco".
Esta canção deu origem a um teledisco, realizado já depois da minha saída.



BONECA DE CERA CEBY


CEBY forjicada p'la vida
buscas nos meus a imagem cabina
moldada por mãos e sexo
rasgas o tempo com pavor


BONECA DE CERA CEBY; CEBY; CEBY
BONECA DE CERA CEBY; CEBY; CEBY


Na cama sob tectos
compras ácidos por amor

Olhas cega, sim
fazes por isso duquesa

embora no orvalho do túnel
berras, vertes gotas secas na marquesa


BONECA DE CERA CEBY; CEBY; CEBY
BONECA DE CERA CEBY; CEBY; CEBY


Nas camas nos ácidos
uuuuuuuaaaaaah!


BONECA DE CERA CEBY; CEBY; CEBY
BONECA DE CERA CEBY; CEBY; CEBY


2. LENDAS


Este tema composto inicialmente por mim, baseado num conceito de umas "malhas" que o Luís fazia. Peguei nas ditas "malhas" e trabalhei a música dando-lhe cabeça, tronco e membros. Desde o oh-oh inicial, toda a letra, harmonia e estrutura.
Como testemunham as sobreviventes cassetes audio esta música foi tocada ao vivo em muitos concertos, com outra letra, e outro nome já com a estrutura que aparece no LP.
Surpreendentemente, ou não, já em estúdio, o Madeira aparece com uma letra totalmente diferente, e a musica é registada como sendo do Luís Cabral, o que não corresponde à verdade. E como se isso não bastasse, há cerca de um ano descobri casualmente o verdadeiro autor da letra, que na data dava explicações ao Luís.
Ainda fica por saber quantas letras este actual professor escreveu anónimamente para o Iodo...

Musicalmente considero um tema bem estruturado, embora bastante adulterado no formato vinilico.
A versão ao vivo tinha muito mais power. Foi a única musica que gravei com duas guitarras, a Gibson e uma folk acústica.


Dorme e viaja ao passado
na era sombria
contos mal cantados
havia magia


num cavalo alado
libertas Medeia
és Perseu armado
tens Medusa na ideia


Deitas-te com a nostalgia
trovas e lendas
viagens à Mitologia
onde bebes velhas sendas


A tua terra é diferente
da que irás conhecer
quem sabe o que o aço sente
na batalha ao morrer


Voas com o tempo
acercas-te da besta
no teu quarto quente
desferes a fresta


Deitas-te com a nostalgia
trovas e lendas
viagens à Mitologia
onde bebes velhas sendas


OOOOOOOOOOOOH!
OOOOOOOOAAAH!



3. AS NOVAS DAS TESOURAS VELHAS

Sempre gostei deste tema. Simples como são as coisas boas. Da autoria do Luís, letra e musica. Não o tocámos muito ao vivo, pois esta musica bem como a seguinte, surgiram no encalço do LP, em deterimento de outros temas de comprovada força nos concertos. Mas considero ter sido uma boa escolha e uma abertura para outras sonoridades, esta sim, que o Iodo poderia ter explorado. É uma canção onde o Madeira explora os seus falcetes que tanto o caracterizavam como um dos melhores vocalistas da época, e de facto o Rui Madeira, tinha uma voz muito original e abrangente.


Em troca dos segredos profundos

nas trazeiras busco as minhas amas.

sequiosas da minha ternura

Sequiosas da minha ternura

com que cortam vingativas, a minha carne

em troca dos segredos, segredos, segredos


4. FOZ DE UM BEIJO

Outra canção que surge para integrar o LP, também da autoria do Luís Cabral, ensaiada para o disco e não para o palco. Gostei especialmente do solo que concebi para esta musica, em que nas várias vezes que a toquei me deu bastante pica. Embora de concepção diferente da anterior, é outra musica onde o Madeira podia soltar o seu falcete.


Achei-te, bela, incerta , embora sendo a mágua
duma certeza

Respiro pela ruína erecta, durante folhas de tempo

de quando te admirei

a realeza

Encheste-me de secura e sangue

num lago de perdidos

enquanto o tempo saía das vertigens

naquele canto da noite perto

do exílio do sono

via na horas, a dor

que quanto sofrias

estranho sentir aquele

perto dos tanques

pleno de lágrimas do orvalho caído

a sensação dum engano

às virgens, virgens, virgens

Levei-te de volta ao teu ghetto

desprotegida

e não, quando nos olhamos nus

Respiro pela janela erecta

durante folhas do tempo

de quando te admirei.

Sónia desce e sobe o passeio da ama

acena ri e geme

a dúvida da cama

O gemido, a dor, o olhar

o riso, o calor, o tocar


(-) INTRODUÇÃO PARA O LADO B

Na composição deste pequeno instrumental eu usei uma guitarra folk, imaginei toda a música, acordes, tempos e forma de apresentação. O Luís colocou umas frases de strings por cima. Este foi um tema criado com deveriam ter sido todos. Em conjunto, fluindo, em que cada elemento dá o seu contributo. É assim que entendo uma banda. Um Grupo. É muito simples de tocar, e ainda hoje a toco de vez em quando nas minhas actuais noites no Seixal ou Azeitão.